Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES Existe uma diferença importante entre um governante co...
Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES
Existe uma diferença importante entre um governante conhecido e um governante previsível.
O primeiro ocupa espaço porque aparece. O segundo porque as pessoas já imaginam como ele vai reagir quando um problema surge.
É nesse segundo estágio que Celina Leão parece começar a entrar.
A pesquisa divulgada nesta quarta-feira 17/06 pelo Correio Braziliense não chama atenção apenas pelos números da corrida ao Palácio do Buriti. Ela permite uma leitura mais interessante: a de que, em poucos meses como governadora, Celina Leão começa a construir um atributo político que costuma levar anos para se consolidar.
A previsibilidade da liderança.
Não no sentido de antecipar resultados. Mas no de criar, para o eleitor, a expectativa de que haverá uma resposta.
A política vive de percepções. E poucas são tão valiosas quanto essa.
Governos enfrentam problemas diariamente. A diferença entre eles nem sempre está na capacidade de evitar crises, mas na forma como reagem quando elas aparecem. Há administrações que passam dias discutindo uma resposta. Outras preferem esperar que o desgaste diminua. Algumas simplesmente deixam que o assunto desapareça sozinho.
Celina parece seguir outra lógica.
Desde que assumiu o comando do Distrito Federal, adotou um ritmo que privilegia decisões rápidas, exposição pública e acompanhamento direto das situações mais sensíveis. Não significa que todas as medidas tenham consenso ou produzam resultados imediatos. Significa que existe uma tentativa constante de reduzir a distância entre o problema e a resposta do governo.
Esse comportamento ajuda a explicar por que sua imagem começa a ganhar contornos próprios.
Durante anos, Celina foi identificada como uma liderança importante dentro do grupo político de Ibaneis Rocha. Ao assumir o governo, carregava um desafio que costuma acompanhar toda sucessão: deixar de ser percebida como continuidade para ser reconhecida por um estilo próprio.
É justamente aí que a percepção do eleitor parece começar a mudar.
Sua presença frequente nas cidades, em obras, hospitais, escolas e regiões administrativas não é, isoladamente, o fator que chama atenção. O que parece produzir efeito é a combinação entre presença e decisão. A agenda pública deixa de ser apenas um registro de compromissos e passa a transmitir a ideia de acompanhamento, cobrança e intervenção.
Na política, símbolos ajudam a comunicar essa identidade. A botina que Celina costuma usar virou um deles. Mas o símbolo só funciona porque encontra respaldo em um comportamento repetido. Sem isso, seria apenas figurino.
O eleitor dificilmente acompanha os detalhes de um decreto, de uma reunião técnica ou de uma negociação administrativa. O que ele percebe é algo mais simples: se o governante aparece quando a cidade enfrenta um problema e se transmite a sensação de que alguém está conduzindo a situação.
É essa percepção que, muitas vezes, antecede os números das pesquisas.
O dado mais interessante, porém, talvez esteja menos na vantagem sobre os concorrentes do que na identidade que começa a se formar.
Celina já não parece ser reconhecida apenas pelo cargo que ocupa.
Começa a ser identificada pelo modo como exerce esse cargo.
Portal de Notícias Midia Alternatíva

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